sexta-feira, 22 de março de 2013

Bento da Cruz - 22 de fevereiro

Bento Gonçalves da Cruz (Peirezes, concelho de Montalegre, 22 de Fevereiro de 1925) é um grande escritor e médico Português.


Biografia
Bento da Cruz (Bento Golçalves da Cruz), filho de Manuel Gonçalves da Cruz e Maria Alves, pequenos propietários rurais (chamados de «Os Marinheiros»), nasceu em Peirezes, uma modesta aldeia pertencente á freguesia de S. Vicente da Chã, concelho de Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925. Desde cedo foi iniciado no trabalho do campo e na pastorícia, único sustento da família. A miséria e as dificuldades que então viu no povo do seu tempo irão marcar profundamente toda a sua obra. Segundo os seus contemporâneos, era desejo de seus pais ter um filho presbítero de tal modo que quase todos os filhos varões frequentaram o Seminário. O Povo recorda ainda hoje o sacrifício que os progenitores empreenderam para que eles pudessem estudar.
Assim, depois de concluir os primeiros estudos, ingressou a 16 de Outubro de 1940, na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges Beneditinos, disposto a seguir a vida religiosa. Aí concluiu com distinção o antigo Curso dos Seminários e foi director literário das revistas estudantis «O Colégio» e «Claustrália». Leu os Grandes Clássicos da Antiguidade. Entrou no noviciado em 1945. Porém, terminado este, decidiu abandonar a ordem em 1946, curiosamente também no dia 16 de Outubro. Ainda Hoje mantém cordiais relações com os Monges de Singeverga, onde participa regularmente em encontros de antigos alunos.
Conta sobre esse período: "fui cumpridor da regra e apontado como exemplo. A minha saída do seminário pode ter afectado alguns condiscípulos que me tomaram como referência. A maior pena que me ficou desse tempo foi não ter vivido essa extraordinária experiência de vida na aldeia entre os 15 e os 21 anos. Senti toda a vida a falta desse percurso de juventude." A sua primeira Obra « Hemoptise» dá-nos a conhecer esta etapa da sua caminhada.
Dois anos depois matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Concluída a formatura, abriu consultório de clínica geral em Souselas, no concelho de Coimbra, em 1955. Pouco depois, em 1956, estabeleceu-se no Barroso, praticando clínica geral e estomatologia. Teve consultório na aldeia de Pisões, onde então se empreendia a construção de uma das maiores albufeiras do País, a Barragem do Alto Rabagão (concluída em 1964), hoje «Empreendimento Hidroélectrico do Alto Rabagão», onde prestou serviço aos muitos trabalhadores que a construíram.
Como Médico percorreu toda a região de Barroso. Fica conhecido pelo serviço aos pobres a quem não levava dinheiro e até oferecia os medicamentos. Existe um vasto leque de testemunhos de como, naquela terra isolada, curou e salvou inúmeras vidas.
Em 1971 fixa-se no porto, onde ainda se mantém actualmente, e onde exerceu medicina até se reformar. Depois do 25 de Abril de 1974, funda o jornal «Correio do Planalto», que ainda hoje mantém. Bento da Cruz nunca se desligou da aldeia e do mundo rural em que nasceu. Visita-a regularmente e nela gozou sempre as férias e os tempos de descanso. Nela se inspira e escreve. Os muito famosos «Prolegómenos», crónicas que mantém no seu Jornal ( das quais resultaram duas obras com esse título), abordam na sua maioria temáticas rurais e histórias de antanho. É frequente encontrá-lo nos seus muitos passeios pelos campos e velhos caminhos da terra. Reconstruiu a casa de seu avó de forma rústica e tudo nela evoca o Barroso de antigamente.
Foi nomeado Patrono da Escola Secundária de Montalegre (Escola Secundária Dr. Bento da Cruz), onde nesta primeira década do terceiro milénio lhe foi dedicado um busto. Algumas ruas da vila foram também baptizadas com o seu nome. Na portaria da escola está, numa placa de mármore, uma das suas mais belas afirmações: «O Barroso é um Paraíso, o único ou um dos poucos que ainda existem á face da terra.»
Bento da Cruz é, sem dúvida, um dos maiores escritores Transmontanos de todos os tempos.

Obra

Romance e contos

  • Hemoptise, sob o pseudónimo de Sabiel Truta, 1959
  • Planalto em Chamas, 1963
  • Ao Longo da Fronteira, 1964
  • Filhas de Loth, 1967
  • Contos de Gostofrio, 1973
  • O Lobo Guerrilheiro, 1980
  • Planalto do Gostofrio, 1982
  • Histórias da Vermelhinha, 1991
  • Planalto de Gostofrio, 1992
  • Histórias de Lana-Caprina, 1994
  • O Retábulo das Virgens Loucas, 1996
  • A Loba, 1999
  • A Lenda de Hiran e Belkiss, de 2005
  • A Fárria, de 2010 (comemoração dos 50 anos de vida Literária)

Biografia

  • Victor Branco: Escritor Barrosão, Vida e Obra, 1995
  • Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os Montes, 2005
  • Camilo Castelo Branco: Por terras de Barroso e outros lugares, 2012

Crónicas

  • Prolegómenos, 2007
  • Prolegómenos II, 2009
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_da_Cruz (consultado em 21 de março de 2013)

domingo, 17 de março de 2013

Livros de e sobre Padre Fontes



Padre Fontes - O Romance de uma Vida

Padre António Fontes - 22 de fevereiro


 
Padre António Lourenço Fontes
Padre Fontes promoveu, uma vez mais, as inúmeras potencialidades do concelho de Montalegre
O Padre António Fontes, nasceu em Cambezes do Rio, uma aldeia do Barroso, próxima do Rio Cávado, em 22 de Fevereiro de 1940, seu pai esteve emigrado na América, no longínquo ano de 1927, e teve doze filhos. Ingressou no Seminário em Vila Real, em 1950, saiu em 1962 e diz \" o Seminário ocupou quase toda a minha juventude, não se conta em duas palavras, foi demasiado tempo. E esse fica, deixa marcas vincadas como as negras batinas dos padres que por ali se moviam. Alguns poucos quase santos, outros, talvez a maior parte, mais que diabos\". Desde pequeno que sempre disse que queira ser padre, e aos 10 anos, escola primária feita, já estava no Seminário. \" Enquanto andei no Seminário, meus pais, sabe Deus como, viram-se aflitos para suportar aquela despesa. Na agricultura ninguém tinha salário e todos os trimestres era necessário pagar. Quando não havia a quantia necessária, pedíamos dinheiro aos vizinhos ou vendíamos
 Foi ordenado em 1963, e foi colocado em Tourém, aí esteve oito anos. Deixou a sua marca nesta terra, paredes meias com a Serra do Gerês e com a Espanha, mais com a Espanha que com Portugal. O seu meio de transporte, um cavalo, atendendo a que não havia estradas dignas desse nome, servia-lhe para ir de para as paróquias celebrar a missa. Em Tourém criou uma escola, iniciou cursos agrícolas, cursos de bordadura, requisitou leite, farinha, manteiga e óleo à Caritas, começou por dar as refeições confeccionadas na casa paroquial, onde vivia com uma irmã, já que se desse os alimentos, alguns vendiam-nos. O seu nome começou a ficar pelas aldeias, que percorria no seu cavalo, ia celebrar missa a Pitões das Júnias e Covelães. Ao fim de dois anos o seu meio de transporte muar foi substituído por uma motorizada. Deixou Tourém em 1971 e foi para Vilar de Perdizes, já lá vão 32 anos. Para além desta paróquia têm a seu cargo Mexide e Soutelinho da Raia. Todos os dias celebra missa em Vilar de Perdizes às oito e meia da manhã.

Fonte: http://www.padrefontes.com/destaque.asp?codigo=261