Letras-ós-Montes
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
terça-feira, 18 de agosto de 2020
Aniversário de nascimento de Miguel Torga - 113 anos
Comemoração em dia de aniversário
Miguel Torga – o pretexto
No dia 12 de agosto, pelas 16:00, a Academia de Letras de Trás-os-Montes e o Município de Montalegre /Biblioteca Municipal, em parceria, levaram a efeito a atividade “Miguel Torga – o pretexto – à conversa com os nossos autores locais”, para assinalar a data de nascimento do poeta. Nesta atividade, realizada por videoconferência, participaram cerca de 30 autores quer associados, quer interessados na obra torguiana.
A sessão foi aberta e coordenada pela Bibliotecária da Biblioteca de Montalegre, Gorete Afonso, dando as boas-vindas e manifestando a satisfação em realizar uma primeira sessão nestes moldes digitais. Congratulou-se pelo facto do escritor ter passado por terras de Barroso, e registado essas visitas principalmente na obra diarística. Assunção Anes Morais, Presidente da ALTM, agradeceu a iniciativa ao Município de Montalegre e a presença dos participantes, residentes em várias cidades do país e no estrangeiro, e fez uma breve leitura dos dados biobibliográficos do escritor. Realçou um excerto do livro «Portugal», dando destaque à parte que se intitula “Reino Maravilhoso”, e a vários poemas como “A um Negrilho”, Sísifo”, “Segredo”, “Ariane”. Foram, ainda, lidas algumas passagens do «Diário» referentes a Montalegre e ao Barroso como, por exemplo, a referência à Feira do Prémio, na qual o escritor também participou.
Dada a palavra aos vários participantes, alguns dos autores locais, naturais do concelho de Montalegre, falaram do conhecimento que tiveram com o escritor e/ou do contacto com a sua obra. Outros leram poemas de Torga ou sobre Torga, fazendo referência às suas incursões pela literatura.
A sessão terminou com a audição de fados de Coimbra, já que Torga estudou, viveu, trabalhou e partiu da cidade dos estudantes.
Foi desta forma singela, mas inovadora, que se lembrou o poeta que faria 113 anos, se estivesse entre nós. Os autores nunca morrem, pois a melhor homenagem que podemos oferecer aos nossos escritores é ler as suas obras.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
domingo, 22 de setembro de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Dia da Poesia
Semana da Leitura - Na onda dos escritores
Estes alunos, motivados e
aplicados neste projeto, quiseram ir mais longe e levámos este trabalho a um
grupo de pessoas, cuja idade contraria o interior jovem, no Lar da Santa Casa
da Misericórdia de Vila Pouca de Aguiar. sexta-feira, 22 de março de 2013
Bento da Cruz - 22 de fevereiro
Bento da Cruz (Bento Golçalves da Cruz), filho de Manuel Gonçalves da Cruz e Maria Alves, pequenos propietários rurais (chamados de «Os Marinheiros»), nasceu em Peirezes, uma modesta aldeia pertencente á freguesia de S. Vicente da Chã, concelho de Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925. Desde cedo foi iniciado no trabalho do campo e na pastorícia, único sustento da família. A miséria e as dificuldades que então viu no povo do seu tempo irão marcar profundamente toda a sua obra. Segundo os seus contemporâneos, era desejo de seus pais ter um filho presbítero de tal modo que quase todos os filhos varões frequentaram o Seminário. O Povo recorda ainda hoje o sacrifício que os progenitores empreenderam para que eles pudessem estudar.
Assim, depois de concluir os primeiros estudos, ingressou a 16 de Outubro de 1940, na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges Beneditinos, disposto a seguir a vida religiosa. Aí concluiu com distinção o antigo Curso dos Seminários e foi director literário das revistas estudantis «O Colégio» e «Claustrália». Leu os Grandes Clássicos da Antiguidade. Entrou no noviciado em 1945. Porém, terminado este, decidiu abandonar a ordem em 1946, curiosamente também no dia 16 de Outubro. Ainda Hoje mantém cordiais relações com os Monges de Singeverga, onde participa regularmente em encontros de antigos alunos.
Conta sobre esse período: "fui cumpridor da regra e apontado como exemplo. A minha saída do seminário pode ter afectado alguns condiscípulos que me tomaram como referência. A maior pena que me ficou desse tempo foi não ter vivido essa extraordinária experiência de vida na aldeia entre os 15 e os 21 anos. Senti toda a vida a falta desse percurso de juventude." A sua primeira Obra « Hemoptise» dá-nos a conhecer esta etapa da sua caminhada.
Dois anos depois matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Concluída a formatura, abriu consultório de clínica geral em Souselas, no concelho de Coimbra, em 1955. Pouco depois, em 1956, estabeleceu-se no Barroso, praticando clínica geral e estomatologia. Teve consultório na aldeia de Pisões, onde então se empreendia a construção de uma das maiores albufeiras do País, a Barragem do Alto Rabagão (concluída em 1964), hoje «Empreendimento Hidroélectrico do Alto Rabagão», onde prestou serviço aos muitos trabalhadores que a construíram.
Como Médico percorreu toda a região de Barroso. Fica conhecido pelo serviço aos pobres a quem não levava dinheiro e até oferecia os medicamentos. Existe um vasto leque de testemunhos de como, naquela terra isolada, curou e salvou inúmeras vidas.
Em 1971 fixa-se no porto, onde ainda se mantém actualmente, e onde exerceu medicina até se reformar. Depois do 25 de Abril de 1974, funda o jornal «Correio do Planalto», que ainda hoje mantém. Bento da Cruz nunca se desligou da aldeia e do mundo rural em que nasceu. Visita-a regularmente e nela gozou sempre as férias e os tempos de descanso. Nela se inspira e escreve. Os muito famosos «Prolegómenos», crónicas que mantém no seu Jornal ( das quais resultaram duas obras com esse título), abordam na sua maioria temáticas rurais e histórias de antanho. É frequente encontrá-lo nos seus muitos passeios pelos campos e velhos caminhos da terra. Reconstruiu a casa de seu avó de forma rústica e tudo nela evoca o Barroso de antigamente.
Foi nomeado Patrono da Escola Secundária de Montalegre (Escola Secundária Dr. Bento da Cruz), onde nesta primeira década do terceiro milénio lhe foi dedicado um busto. Algumas ruas da vila foram também baptizadas com o seu nome. Na portaria da escola está, numa placa de mármore, uma das suas mais belas afirmações: «O Barroso é um Paraíso, o único ou um dos poucos que ainda existem á face da terra.»
Bento da Cruz é, sem dúvida, um dos maiores escritores Transmontanos de todos os tempos.
Obra
Romance e contos
- Hemoptise, sob o pseudónimo de Sabiel Truta, 1959
- Planalto em Chamas, 1963
- Ao Longo da Fronteira, 1964
- Filhas de Loth, 1967
- Contos de Gostofrio, 1973
- O Lobo Guerrilheiro, 1980
- Planalto do Gostofrio, 1982
- Histórias da Vermelhinha, 1991
- Planalto de Gostofrio, 1992
- Histórias de Lana-Caprina, 1994
- O Retábulo das Virgens Loucas, 1996
- A Loba, 1999
- A Lenda de Hiran e Belkiss, de 2005
- A Fárria, de 2010 (comemoração dos 50 anos de vida Literária)
Biografia
- Victor Branco: Escritor Barrosão, Vida e Obra, 1995
- Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os Montes, 2005
- Camilo Castelo Branco: Por terras de Barroso e outros lugares, 2012
Crónicas
- Prolegómenos, 2007
- Prolegómenos II, 2009






